Mounjaro e Anvisa: para que a tirzepatida está aprovada no Brasil, e desde quando
O Mounjaro, da Eli Lilly, foi registrado pela Anvisa em 25 de setembro de 2023 para diabetes tipo 2 em adultos. Em 9 de junho de 2025 ganhou a indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade, ou com sobrepeso e ao menos uma doença associada. Em outubro de 2025 veio a apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade, e em abril de 2026 o uso em diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos. Chegou às farmácias em maio de 2025 e, desde 23 de junho de 2025, só sai com receita retida. Zepbound, o nome usado nos Estados Unidos para peso, não é vendido aqui.
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A resposta curta
Sim, o Mounjaro tem aprovação da Anvisa para obesidade: desde 9 de junho de 2025 ele é indicado para controle crônico do peso em adultos com obesidade, ou sobrepeso com doença associada. O registro original, de 25 de setembro de 2023, era para diabetes tipo 2. Em 2025 veio a apneia do sono e, em abril de 2026, o diabetes tipo 2 a partir de 10 anos. A compra exige receita retida.

Pontos principais
- Registro para diabetes tipo 2 em adultos em 25 de setembro de 2023, segundo o Conselho Federal de Farmácia, com base no programa de estudos SURPASS.
- Indicação para obesidade, ou sobrepeso com comorbidade, aprovada e publicada no Diário Oficial da União em 9 de junho de 2025, como complemento a dieta e atividade física. Os critérios exatos de peso estão na bula e são avaliados pelo seu médico.
- Apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade, noticiada em 20 e 21 de outubro de 2025; e diabetes tipo 2 a partir de 10 anos, pela Resolução-RE nº 1.592, publicada em 22 de abril de 2026. A Anvisa informou que as demais indicações permanecem inalteradas.
- A caneta original é de uso único. Em março de 2026 a Anvisa registrou uma versão multidose, a Mounjaro KwikPen, em que a mesma caneta serve para mais de uma aplicação; a Anvisa já citava lotes de Mounjaro KwikPen em alerta de abril de 2026.
- Desde 23 de junho de 2025, a tirzepatida só é dispensada com receita em duas vias, uma retida pela farmácia. Tirzepatida vendida com outro nome, sem registro, é irregular, e várias marcas foram proibidas pela Anvisa.
Uma substância, várias indicações
No Brasil, a mesma marca, Mounjaro, cobre diabetes tipo 2, controle crônico do peso e apneia do sono. Nos Estados Unidos a Lilly separa em dois nomes, Mounjaro e Zepbound. Aqui, o que vale é a indicação escrita na bula aprovada pela Anvisa.
Obesidade é indicação oficial
Desde 9 de junho de 2025, prescrever Mounjaro para controle de peso em adultos que preenchem os critérios da bula não é uso fora da bula. Quem decide se você se enquadra é o médico, com base na sua história e nos seus exames.
Duas canetas, um cuidado
Existem a caneta de uso único e a versão multidose KwikPen. Se a sua receita ou a caixa mudar de formato, a troca e a forma de uso são orientação do médico e do farmacêutico, não algo para ajustar sozinho.
O que anotar ao começar
Data da primeira aplicação, nome exato da caixa, formato da caneta, data da receita e peso de partida. O GLP-1 Tracker guarda esse histórico no iPhone, sem conta, e marca o dia em que algo mudou.
A resposta curta: o que está aprovado hoje
Se a sua dúvida é se o Mounjaro tem aprovação da Anvisa para obesidade, a resposta é sim, desde 9 de junho de 2025. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) noticiou naquele dia que a Anvisa aprovou o uso do Mounjaro para tratamento de sobrepeso com comorbidades ou obesidade, em decisão publicada no Diário Oficial da União, ampliando um registro que existia desde setembro de 2023 para diabetes tipo 2. A Agência Brasil, também em 9 de junho de 2025, descreveu a mudança da mesma forma: antes, a bula indicava o medicamento apenas para diabetes tipo 2.
Até 20 de outubro de 2026, o quadro que encontramos é este. Diabetes tipo 2 em adultos, desde 25 de setembro de 2023. Controle crônico do peso em adultos com obesidade, ou com sobrepeso e pelo menos uma condição associada ao peso, como complemento a dieta com menos calorias e mais atividade física, desde 9 de junho de 2025. Apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade, noticiada em 20 e 21 de outubro de 2025. Diabetes tipo 2 a partir de 10 anos de idade, desde 22 de abril de 2026. Não encontramos outra indicação do Mounjaro aprovada pela Anvisa depois disso. A aprovação para reduzir risco de infarto e AVC em pessoas com diabetes tipo 2, de 28 de agosto de 2026, é da FDA, nos Estados Unidos, e não vale automaticamente aqui.
O detentor do registro é a Eli Lilly do Brasil, e é ela que a Anvisa aciona nos alertas sobre lotes falsificados, como os de 2 de abril e 30 de julho de 2026. A ficha técnica da substância, com mecanismo e estudos, está na referência do Mounjaro (tirzepatida). Esta página fica no que é específico do Brasil.
O GLP-1 Tracker mostra o seu nível estimado de medicamento ao longo do tempo.
Linha do tempo na Anvisa, de 2023 a 2026
25 de setembro de 2023: a Anvisa aprova o Mounjaro para tratamento do diabetes tipo 2 em adultos, junto com orientações de dieta e atividade física. O CFF registrou que a aprovação se baseou no programa SURPASS, um conjunto de estudos de fase 3 com participantes de vários países, incluindo o Brasil. Nesse momento, o produto ainda não estava nas farmácias.
9 de junho de 2025: nova indicação para controle de peso em adultos com obesidade ou com sobrepeso e comorbidade, publicada no Diário Oficial da União. É a data a guardar para a busca "mounjaro anvisa obesidade". Os critérios de peso e de doenças associadas estão descritos na bula, e a avaliação de quem se enquadra é do médico.
Outubro de 2025: a Anvisa aprova a indicação para apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade. O CFF, em 21 de outubro de 2025, informou que a decisão foi publicada no Diário Oficial da União e descreveu o Mounjaro como o primeiro medicamento autorizado no Brasil especificamente para essa condição. Vários veículos noticiaram a aprovação em 20 de outubro. Não conseguimos abrir o Diário Oficial para confirmar o dia exato da publicação.
22 de abril de 2026: a Anvisa publica a Resolução-RE nº 1.592, de 17 de abril de 2026, que amplia a indicação para diabetes tipo 2 a pacientes a partir de 10 anos. A própria Anvisa escreveu que, antes, essa indicação era só para adultos e que as demais indicações permanecem inalteradas; como controle de peso e apneia foram aprovados para adultos, seguem restritos a adultos.
Março de 2026: registro da versão multidose. Segundo a CNN Brasil, a Resolução-RE nº 1.041 foi publicada no Diário Oficial em 18 de março de 2026, em nome da Eli Lilly do Brasil. O formato é tratado na seção sobre a caneta, abaixo.
Nas farmácias: chegada em 2025, caneta e receita retida
A Lilly antecipou a chegada do Mounjaro às farmácias brasileiras para maio de 2025, quando inicialmente o plano era junho. O CFF, em 25 de abril de 2025, relatou o anúncio da fabricante: o medicamento estaria disponível na primeira quinzena de maio, com a expectativa de abastecer todas as redes até 15 de maio, e apenas parte das apresentações aprovadas chegaria nessa primeira etapa. Nessa época, o registro ainda era só para diabetes tipo 2; a indicação para obesidade viria em junho.
A caneta que chegou em 2025 é de uso único, descartada depois da aplicação. Em março de 2026, a Anvisa registrou a versão multidose, chamada Mounjaro KwikPen, em que a mesma caneta é usada para mais de uma dose. A Anvisa já citava lotes falsificados de "Mounjaro Kwikpen" no alerta de 2 de abril de 2026, o que indica que o formato circula no país, mas não encontramos um comunicado da Lilly Brasil com a data de lançamento da KwikPen nas farmácias. Não descrevemos aqui apresentações nem como aplicar: isso está na bula e é orientação do médico e do farmacêutico. Se a caixa que você recebe muda de formato, vale perguntar na farmácia, antes de sair, como a nova caneta funciona.
Desde 23 de junho de 2025, o Mounjaro só é dispensado com receita em duas vias, uma delas retida pela farmácia, pela RDC nº 973/2025 e pela IN nº 360/2025 da Anvisa. A Anvisa anunciou naquele dia que farmácias de todo o país passariam a reter as receitas de agonistas de GLP-1 como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Validade, receita digital e motivos de recusa estão explicados no guia sobre receita retida de Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Preço não entra nesta página. O preço máximo de medicamentos no Brasil é definido pela CMED, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e o preço praticado pode ficar abaixo desse teto; a farmácia e a tabela da CMED são as fontes para o valor do dia.
Manipulada, "paraguaia" e Zepbound: o que não é o Mounjaro
Existem três confusões frequentes. A primeira é a tirzepatida manipulada. As regras da Anvisa para manipulação de agonistas de GLP-1, e por que a tirzepatida e a semaglutida tiveram tratamentos diferentes, estão no guia sobre semaglutida manipulada e genérica no Brasil; não repetimos aqui. O ponto que importa para esta página é simples: produto manipulado não é o Mounjaro, não tem o registro do Mounjaro e não segue a bula do Mounjaro.
A segunda é a tirzepatida vendida com outro nome, muitas vezes apresentada como "do Paraguai". Nenhuma dessas canetas tem registro na Anvisa, e várias marcas foram proibidas por nome desde 2025, como T36, Synedica, TG, Tirzec e Gluconex. O mapa das proibições, com datas e números de resolução, está no guia sobre tirzepatida paraguaia e a Anvisa. Também há falsificações do próprio Mounjaro: a Anvisa mandou apreender lotes falsos em 2 de abril de 2026, inclusive da KwikPen, e outro lote com número de série incompatível em 30 de julho de 2026, ambos a partir de comunicação da Eli Lilly do Brasil.
A terceira é o Zepbound. Nos Estados Unidos, a Lilly vende a tirzepatida com dois nomes: Mounjaro para diabetes tipo 2 e Zepbound para controle crônico do peso e apneia do sono. No Brasil, essa separação não existe: as indicações de peso e de apneia foram incluídas no registro do próprio Mounjaro. Em nenhum comunicado da Anvisa que consultamos aparece um registro com o nome Zepbound, e ele não é comercializado no país. Se alguém oferece "Zepbound" no Brasil, o produto veio por fora do circuito regular, e a orientação da Anvisa é não comprar medicamentos fora de farmácias regularizadas.
Cobertura: plano de saúde, SUS e o que pedir por escrito
Ter a indicação aprovada pela Anvisa não significa cobertura automática. No SUS, o CFF informou em 27 de abril de 2026, citando o Ministério da Saúde, que a Conitec, a comissão que avalia a incorporação de tecnologias ao sistema público, não havia recebido pedido de análise para a tirzepatida até aquele momento. Não encontramos mudança nisso até 20 de outubro de 2026: o pedido que o Ministério protocolou em 24 de setembro de 2026 trata de semaglutida ou liraglutida, como explica o guia sobre Mounjaro e semaglutida pelo SUS.
Nos planos de saúde, a regra geral é outra conversa: medicamento de uso domiciliar e cobertura contratual, o Rol da ANS e a lei que trata dele, e o que pedir por escrito quando a resposta é não. Tudo isso está no guia sobre plano de saúde e Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Uma coisa prática ajuda em qualquer caminho: a data em que a indicação foi aprovada. Se o seu médico prescreveu para controle de peso, a indicação existe desde 9 de junho de 2025; para apneia do sono, desde outubro de 2025. Ter essas datas e a receita em mãos facilita qualquer pedido formal.
Começando ou trocando para o Mounjaro: o que registrar
Quem começa o Mounjaro, ou troca de outro agonista de GLP-1 para ele, passa a acumular datas que ninguém mais vai guardar por você. A farmácia fica com uma via da receita; a caixa vai para o lixo; o médico vê você de tempos em tempos. Um registro simples, feito no dia, resolve a maior parte das perguntas futuras.
Ao começar, anote: a data da primeira aplicação; o nome exato da caixa e o formato da caneta, de uso único ou KwikPen; a data de emissão da receita, porque a validade de 90 dias conta a partir dela; o peso de partida e, se o seu médico pediu, outras medidas; e a indicação que motivou a prescrição, seja diabetes, controle de peso ou apneia. Ao longo do tempo, registre cada aplicação, o local, pausas, esquecimentos e efeitos colaterais com data.
Ao trocar, por exemplo, de uma semaglutida para o Mounjaro, ou do formato de uso único para a KwikPen, marque o dia da troca, o último uso do produto anterior e como você se sentiu nas semanas seguintes. Como fazer a troca é decisão do médico; o que você controla é o registro. O roteiro de como continuar registrando quando você troca de medicamento mostra como organizar isso.
O GLP-1 Tracker é um app para iPhone feito para essa camada: cada aplicação com data, local e notas, a marca e o formato da caneta, peso, efeitos colaterais e lembretes de aplicação. Os dados ficam no próprio aparelho, não há conta para criar conosco e não existe versão web. O app não prescreve, não verifica receita e não sabe o que a farmácia tem; ele deixa as datas prontas para a consulta.
Perguntas frequentes
O Mounjaro é aprovado pela Anvisa para obesidade?
Sim. Desde 9 de junho de 2025, quando a decisão foi publicada no Diário Oficial da União, o Mounjaro tem indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade, ou com sobrepeso e pelo menos uma doença associada, junto com dieta e atividade física. Antes disso, o registro de 25 de setembro de 2023 era só para diabetes tipo 2. Quem avalia se você preenche os critérios da bula é o seu médico.
Quando o Mounjaro foi registrado no Brasil?
Em 25 de setembro de 2023, para diabetes tipo 2 em adultos, segundo o Conselho Federal de Farmácia, que noticiou a aprovação da Anvisa naquele dia. O medicamento só chegou às farmácias em maio de 2025, depois de a Lilly antecipar o lançamento que estava previsto para junho.
O Mounjaro é aprovado para apneia do sono?
Sim, para apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade. A aprovação foi noticiada em 20 e 21 de outubro de 2025, e o CFF informou que a decisão foi publicada no Diário Oficial da União e que o Mounjaro foi o primeiro medicamento autorizado no Brasil para essa condição. Não conseguimos confirmar no próprio DOU o dia exato da publicação.
Crianças e adolescentes podem usar Mounjaro?
Apenas para diabetes tipo 2 e a partir de 10 anos, pela Resolução-RE nº 1.592, de 17 de abril de 2026, publicada em 22 de abril de 2026. A Anvisa escreveu que as demais indicações permanecem inalteradas; controle de peso e apneia do sono foram aprovados para adultos.
O que é o Mounjaro KwikPen?
É a versão multidose da caneta, em que a mesma caneta serve para mais de uma aplicação, ao contrário da caneta original de uso único. Segundo a CNN Brasil, o registro saiu no Diário Oficial em 18 de março de 2026. A Anvisa já citava lotes falsificados de Mounjaro KwikPen em abril de 2026. Como usar cada formato é explicado na bula e pelo farmacêutico.
Existe Zepbound no Brasil?
Não. Zepbound é o nome que a Lilly usa nos Estados Unidos para a tirzepatida no controle do peso e na apneia do sono. No Brasil, essas indicações foram incluídas no registro do próprio Mounjaro, e não encontramos registro com o nome Zepbound nos comunicados da Anvisa. Produto vendido como Zepbound no país veio por fora do circuito regular.
Preciso de receita retida para comprar Mounjaro?
Sim. Desde 23 de junho de 2025, pela RDC nº 973/2025 e pela IN nº 360/2025 da Anvisa, a tirzepatida só é dispensada com receita em duas vias, uma retida pela farmácia, com validade de 90 dias. A receita pode ser digital, com assinatura eletrônica verificável. Os detalhes estão no guia sobre receita retida.
O SUS ou o plano de saúde cobre o Mounjaro?
No SUS, o CFF informou em 27/04/2026, citando o Ministério da Saúde, que a Conitec não havia recebido pedido de análise para a tirzepatida. Nos planos, a cobertura depende do contrato, do Rol da ANS e da situação clínica; o guia sobre plano de saúde explica o que a lei diz e o que pedir por escrito. Ter a indicação na bula ajuda, mas não garante cobertura.
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O GLP-1 Tracker registra cada aplicação, a marca e o formato da caneta, o peso e os efeitos colaterais no seu iPhone, para a próxima consulta começar pelo que aconteceu. Baixe o app e conheça o Otis.
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