Semaglutida manipulada é permitida no Brasil?
Pelo que a Anvisa publicou, a semaglutida manipulada ficou, na prática, vetada desde 25 de agosto de 2025: o Despacho nº 97/2025 e a Nota Técnica nº 200/2025 só admitem importar semaglutida biotecnológica para manipulação quando o insumo vem do mesmo fabricante avaliado no registro do medicamento, e semaglutida sintética só quando existe medicamento sintético registrado, o que passou a existir com o Ozivy (EMS) em 26 de maio de 2026. A tirzepatida manipulada continuou permitida, com exigências. Esta página explica o que está publicado, o que diferencia um medicamento registrado de um manipulado, os alertas sobre canetas falsificadas e como denunciar. Não é orientação médica nem jurídica.
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A resposta curta
Semaglutida manipulada é permitida no Brasil só em condições muito restritas: desde 25 de agosto de 2025, o Despacho nº 97/2025 e a Nota Técnica nº 200/2025 da Anvisa admitem importar semaglutida biotecnológica para manipulação apenas do fabricante avaliado no registro, e semaglutida sintética apenas com medicamento sintético registrado, o que passou a existir com o Ozivy (EMS) em 26 de maio de 2026. Tirzepatida manipulada segue permitida, com exigências rígidas.

Pontos principais
- Em 25 de agosto de 2025 a Anvisa publicou o Despacho nº 97/2025, que aprovou a Nota Técnica nº 200/2025: insumo de semaglutida biotecnológica só pode ser importado para manipulação se vier do fabricante avaliado no registro do medicamento; insumo sintético só se existir medicamento sintético registrado na Anvisa. A imprensa resumiu como "Anvisa proíbe semaglutida manipulada".
- A tirzepatida (Mounjaro, registrado em 25 de setembro de 2023) é obtida por síntese química, e por isso a mesma nota técnica manteve a manipulação possível, desde que a farmácia cumpra a RDC nº 67/2007, qualifique o fornecedor e faça os testes mínimos do Anexo I. A própria Anvisa escreveu que a manipulação rotineira dessas substâncias "não se mostra viável do ponto de vista sanitário".
- Ozivy (EMS) foi registrado em 26 de maio de 2026 como o primeiro medicamento de semaglutida sintética do país e, segundo a Anvisa, não é genérico, e sim medicamento novo. Em 29 de julho de 2026 vieram mais cinco registros sintéticos e, em 17 de agosto de 2026, o primeiro genérico (EMS, sem nome comercial) e o similar Semaclique (Germed). Extensior e Poviztra são clones de Ozempic e Wegovy registrados pela Novo Nordisk e comercializados pela Eurofarma.
- Entre outubro de 2025 e julho de 2026 a Anvisa determinou a apreensão de lotes falsificados de Rybelsus e de Mounjaro, proibiu marcas irregulares de tirzepatida e retatrutida, interditou farmácias de manipulação e apoiou a Operação Heavy Pen da Polícia Federal. A orientação da Agência é comprar só em farmácia regularizada, na embalagem completa e com nota fiscal.
- Suspeita de falsificação: não use, avise a empresa detentora do registro e a Anvisa (Fala.BR, 0800 642 9782) ou a Vigilância Sanitária local. Efeito adverso: notifique no VigiMed, que aceita relatos de cidadãos. Dor abdominal intensa e persistente é sinal de alerta que a Anvisa manda levar ao atendimento médico imediato; em emergência, ligue 192 (SAMU).
O que vale hoje
Nota Técnica nº 200/2025 e Despacho nº 97/2025, publicados pela Anvisa em 25 de agosto de 2025. Em abril de 2026 a Agência anunciou a revisão dessa nota e da RDC nº 67/2007, mas, até 14 de setembro de 2026, não localizamos a publicação do texto revisado; a base publicada segue sendo a de 2025. Confira no portal gov.br/anvisa se houve novidade.
Semaglutida x tirzepatida
A semaglutida registrada no Brasil era, até maio de 2026, toda biotecnológica; a Anvisa entende que dados de segurança de um fabricante biológico não valem para outro. A tirzepatida do Mounjaro é sintética, e por isso a regra para manipulá-la é diferente, embora igualmente exigente.
Registrado não é manipulado
Ozempic, Wegovy, Rybelsus, Extensior, Poviztra, Ozivy, Semaclique e o genérico da EMS têm registro na Anvisa e, quando estão à venda, só podem ser dispensados em farmácia regularizada, com receita em duas vias retida, válida por 90 dias. Um manipulado é uma preparação magistral individual, que não pode ser anunciada nem vendida em série.
O que anotar
Nome comercial ou "manipulado", farmácia, data da compra, lote quando houver e nota fiscal. Se você trocou de marca, por exemplo de Ozempic para Extensior, registre a data. O GLP-1 Tracker guarda esse histórico no seu iPhone, sem conta, para você mostrar ao médico, ao farmacêutico ou à vigilância se precisar.
O que a Anvisa decidiu em agosto de 2025, e o que continua valendo
A resposta à pergunta do título vem de dois documentos da Anvisa publicados em 25 de agosto de 2025: a Nota Técnica nº 200/2025/SEI/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA e o Despacho nº 97, de 22 de agosto de 2025, publicado no Diário Oficial da União. O despacho tem oito itens; os quatro que interessam a quem pergunta sobre manipulação são estes. Primeiro: insumos farmacêuticos ativos (IFAs) agonistas de GLP-1 obtidos por via biotecnológica só podem ser importados para manipulação quando vêm de fabricantes cujo insumo foi analisado no registro do medicamento na Anvisa. Segundo: IFAs sintéticos continuam podendo ser importados para manipulação, desde que exista medicamento registrado na Anvisa com aquela molécula. Terceiro: importadoras e farmácias devem seguir um fluxo de importação com canal amarelo na alfândega, certificado de análise e laudos enviados à Agência. Quarto: importadoras e farmácias de manipulação precisam executar os testes mínimos de controle de qualidade do Anexo I da nota técnica, lote a lote.
Como toda a semaglutida registrada no Brasil até então era biotecnológica (Ozempic, Wegovy e Rybelsus, da Novo Nordisk), o efeito prático foi o que a Agência Brasil e o restante da imprensa resumiram em 26 de agosto de 2025: a manipulação de semaglutida ficou vetada, salvo com insumo do próprio fabricante registrado. A nota técnica ainda lembra que qualquer manipulação de agonistas de GLP-1 só cabe quando a farmácia comprova a inexistência de produto equivalente no mercado, nos termos do item 5.10 da RDC nº 67/2007, e que o insumo precisa ter histórico de uso em medicamento registrado, conforme a RDC nº 204/2006.
Esse quadro se soma a outra mudança de 2025: desde 23 de junho de 2025, pela RDC nº 973/2025 e pela Instrução Normativa nº 360/2025, semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida são vendidas com retenção da receita, em duas vias, válida por 90 dias, e a farmácia escritura cada dispensação. Em 6 de abril de 2026 a Anvisa anunciou um plano de ação com a revisão da Nota Técnica nº 200/2025 e da RDC nº 67/2007, além de mais fiscalização. Até 14 de setembro de 2026, não localizamos a publicação do texto revisado; o que está publicado é o que descrevemos aqui. Se você leu em algum lugar que "a regra mudou", confira a data e a fonte no portal da Anvisa antes de tomar qualquer decisão.
O GLP-1 Tracker mostra o seu nível estimado de medicamento ao longo do tempo.
Por que semaglutida e tirzepatida têm regras diferentes
A diferença não é de opinião, e sim de origem do insumo. Segundo a Nota Técnica nº 200/2025, a semaglutida dos medicamentos registrados no Brasil é produzida por biotecnologia, e para IFAs biológicos a Anvisa entende, com base no Despacho nº 209/2025 da área de produtos biológicos, que não é possível extrapolar dados de eficácia e segurança de um fabricante para outro, porque essas características dependem do banco de células e do processo produtivo. Ou seja, um insumo de semaglutida biológica comprado de um fornecedor que não foi avaliado no registro não tem, para a Agência, comprovação de segurança.
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro (Eli Lilly), registrado em 25 de setembro de 2023, é construída por síntese química. Para moléculas sintéticas, a Anvisa aplica o artigo 5º da RDC nº 204/2006: se existe medicamento registrado com a molécula, o insumo pode ser importado e usado em preparação magistral, desde que a importadora qualifique o fabricante com auditoria presencial, apresente certificado de análise reconhecido pela Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas) e a farmácia cumpra as boas práticas da RDC nº 67/2007, inclusive o Anexo IV para preparações estéreis. É por isso que, em 2025 e 2026, a tirzepatida manipulada seguiu existindo enquanto a semaglutida manipulada saiu de cena.
Vale registrar o que a própria Anvisa escreveu na mesma nota técnica: semaglutida e tirzepatida são princípios ativos de alta complexidade farmacotécnica e risco sanitário elevado quando manipulados, especialmente em injetáveis estéreis, e "a manipulação rotineira dessas substâncias em farmácias não se mostra viável do ponto de vista sanitário". A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia pediu, em agosto de 2025, que a restrição fosse estendida à tirzepatida; a Agência não fez isso. Em 3 de agosto de 2026, o Conselho Federal de Medicina alertou que é vedado ao médico prescrever manipulados de tirzepatida em desacordo com as normas sanitárias ou com insumo não aprovado. Se alguém oferece a você uma semaglutida manipulada ou uma tirzepatida manipulada, a pergunta certa para o farmacêutico é: de onde vem o insumo, quem o qualificou e onde estão os laudos do lote.
Registrado, clone, genérico, similar e manipulado: o que cada palavra significa
Um medicamento registrado é aquele que passou pela comprovação de eficácia, segurança e qualidade na Anvisa e recebeu número de registro. No Brasil, para semaglutida, isso inclui Ozempic, Wegovy e Rybelsus (Novo Nordisk); Extensior e Poviztra, registrados pela Novo Nordisk como clones de Ozempic e Wegovy e comercializados pela Eurofarma; Ozivy, da EMS, registrado em 26 de maio de 2026 como a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic; Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, registrados em 29 de julho de 2026; e, em 17 de agosto de 2026, o primeiro genérico de semaglutida, da EMS, que por regra não tem nome comercial, e o similar Semaclique, da Germed. Os registros de 2026 citados são todos de semaglutida sintética, com indicação para diabetes tipo 2; entre os biológicos, Wegovy e Poviztra são os indicados para obesidade. Para uma visão completa de marcas e apresentações, veja o guia semaglutida no Brasil: Ozempic, Wegovy, Poviztra, Extensior e Ozivy.
A Anvisa fez questão de esclarecer, na notícia de 26 de maio de 2026, que o Ozivy não é genérico, porque não existe genérico de produto biológico na regulação brasileira; ele é classificado como medicamento novo, um análogo sintético de um produto biológico. Já a caneta aprovada em 17 de agosto de 2026 foi registrada na categoria de genérico, e a da Germed, como similar. Na prática para você, o que muda é o nome na caixa e a forma de conservação: a Agência informou que Ozivy, o genérico da EMS e o Semaclique devem ficar em geladeira antes e depois de iniciado o uso, diferente do Ozempic; para as demais canetas sintéticas, consulte a bula. Leia a bula que vem na embalagem e tire dúvidas com o farmacêutico, porque essas condições são definidas por produto.
Um manipulado é outra coisa. É uma preparação magistral: feita por farmácia de manipulação, a partir de uma receita individual, para um paciente específico, sob a RDC nº 67/2007. Ele não tem registro, não passa pela avaliação de eficácia e segurança do produto final e não pode ser anunciado nem vendido em série. Quando a Anvisa suspendeu, em 30 de julho de 2026, todas as preparações magistrais de uma farmácia de manipulação, o motivo foi exatamente esse: "venda e propaganda de produtos manipulados padronizados e não individualizados ao público por meio do site da farmácia". Um "Ozempic manipulado" vendido por link, com preço de tabela e sem receita individual, não é o que a norma chama de preparação magistral.
O que muda com o Ozivy e os novos registros para a manipulação
Esta é a dúvida mais frequente de 2026, e a resposta honesta é: o texto publicado permite uma leitura, mas a Anvisa não publicou, até a data desta página, uma orientação específica sobre o assunto. O Despacho nº 97/2025 diz que a importação de IFA sintético para manipulação "permanece permitida" desde que exista produto registrado na Anvisa contendo a molécula. Desde 26 de maio de 2026 existe, com o Ozivy, um medicamento registrado com semaglutida sintética; desde julho e agosto de 2026, existem vários. Sites do setor magistral passaram a dizer, em setembro de 2026, que isso "abre caminho" para a manipulação de semaglutida sintética.
O que essas leituras costumam omitir está na própria nota técnica. Primeiro, a manipulação de agonistas de GLP-1 só cabe mediante comprovação da inexistência de produto equivalente no mercado, nos termos do item 5.10 da RDC nº 67/2007. Com Ozempic, Extensior, Ozivy e um genérico registrados, uma farmácia precisa justificar por que a preparação magistral é diferente do que está na prateleira, e a nota técnica cita exemplos como intolerância a excipiente ou necessidade de ajuste que o produto comercial não atende, sempre com justificativa clínica do prescritor. Segundo, o insumo sintético precisa vir de importadora que qualificou o fabricante com auditoria, passou pelo fluxo de importação com laudos enviados à Agência e fez os testes do Anexo I. Terceiro, a farmácia precisa ter, para cada lote, certificado de análise de laboratório reconhecido pela Reblas. Em 2026, a Anvisa relatou 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras que resultaram em 8 interdições justamente por falta de controle de qualidade, além de mais de 100 kg de insumos importados só no segundo semestre de 2025, volume que a Agência considerou incompatível com o mercado nacional (suficiente, segundo ela, para cerca de 20 milhões de doses).
Em resumo: a regra escrita não é uma proibição absoluta, mas a exceção prevista é estreita e depende de documentação que você pode pedir para ver. Se uma farmácia afirma que "agora a semaglutida manipulada está liberada", peça a ela que mostre em qual documento da Anvisa se baseia, quem é a importadora do insumo e o laudo do lote. Se a resposta for vaga, a resposta para você é não. Para uma decisão sobre o seu tratamento, quem responde é o seu médico, com base no que está registrado e disponível.
Alertas da Anvisa: canetas falsificadas, produtos irregulares e golpes
A Anvisa vem publicando, em sequência, medidas contra produtos que se apresentam como semaglutida ou tirzepatida sem ser. Em 28 de outubro de 2025, a Agência determinou a apreensão de dois lotes falsificados de Rybelsus (Resolução RE nº 4.247/2025), depois de a Novo Nordisk identificar unidades falsas à venda. Em 20 de novembro de 2025, esclareceu que marcas como T.G., Lipoless e Tirzazep, sem registro no país, estão proibidas de entrar no Brasil por qualquer modalidade. Em 21 de janeiro de 2026, proibiu tirzepatida das marcas Synedica e TG e retatrutida de todas as marcas (RE nº 214/2026), vendidas por perfis no Instagram. Em 2 de abril de 2026, determinou a apreensão de lotes falsificados de Mounjaro e Mounjaro KwikPen (RE nº 1.279/2026), após a Eli Lilly encontrar no mercado unidades com características diferentes do original; em 7 de maio, apreendeu as marcas Slimex; em 2 de junho, Rapha, Tirzepatide There e Tirzemax (RE nº 2.238/2026) e suspendeu toda a produção de tirzepatida de uma farmácia que vendia manipulado padronizado sem receita; em 30 de julho de 2026, mais um lote de Mounjaro com número de série incompatível (RE nº 2.952/2026).
Em 7 de abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou, com apoio da Anvisa, a Operação Heavy Pen, com 45 mandados de busca e 24 ações de fiscalização em 12 estados contra importação fraudulenta, produção clandestina e falsificação de medicamentos para emagrecimento. Em 2 de julho de 2026, a Agência alertou para outro golpe: páginas e perfis que misturam o nome da Anvisa com a venda de canetas. A Anvisa não vende medicamento, não pede PIX a pessoas físicas e o site oficial é gov.br/anvisa. Em 13 de julho de 2026, publicou um glossário útil: medicamento autorizado é o que tem registro válido; falsificado é o que teve identidade, origem, composição ou embalagem adulterada; importado irregularmente é o que entrou sem cumprir os requisitos da Agência; experimental é o que só existe em pesquisa clínica autorizada. A retatrutida, proibida de todas as marcas em janeiro de 2026, não tem registro no Brasil.
O que o regulador orienta é simples e vale repetir sem enfeite: adquira medicamentos apenas em farmácias regularizadas, sempre na embalagem completa, dentro da caixa, e com nota fiscal. Se você tem uma unidade com suspeita de falsificação, não use, entre em contato com a empresa detentora do registro para verificar a autenticidade e comunique a Anvisa ou a Vigilância Sanitária do seu município. Esta página não ensina a "conferir se a caneta é verdadeira", porque nenhuma lista de sinais substitui essa verificação pelo fabricante e pela vigilância.
Como denunciar, o que anotar e quando procurar atendimento
Existem canais diferentes para situações diferentes, e usar o certo acelera a resposta. Para relatar uma suspeita de evento adverso a um medicamento, seja registrado ou manipulado, o sistema é o VigiMed, gratuito e aberto a cidadãos, profissionais de saúde e empresas; a Anvisa reforçou esse pedido no alerta de 9 de fevereiro de 2026 sobre pancreatite aguda, lembrando que no Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, houve 145 notificações de suspeitas de eventos adversos com agonistas de GLP-1, seis delas com desfecho de óbito. Para denunciar venda irregular, propaganda de manipulado, farmácia sem regularização ou golpe em nome da Agência, o canal é o Fala.BR, a plataforma de manifestações da Anvisa; dúvidas gerais vão para o 0800 642 9782, de segunda a sexta. A fiscalização rotineira de farmácias é atribuição da Vigilância Sanitária estadual e municipal, então a Visa do seu município também recebe denúncias. Suspeita de produto falsificado vai, além disso, para a empresa detentora do registro.
Se você ou alguém próximo usou um produto irregular e apresenta dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, com náuseas e vômitos, a orientação da Anvisa é procurar atendimento médico imediato. Em emergência, ligue 192 (SAMU). Leve a embalagem, a nota e o que souber sobre a origem do produto: isso ajuda a equipe e a vigilância.
Aqui entra a parte prática, que costuma ser esquecida. Anote sempre o que foi comprado (nome comercial ou "manipulado"), onde, em que data, com qual receita, o lote quando houver e guarde a nota fiscal. Se houve troca de marca, por exemplo de Ozempic para Extensior ou para Ozivy, registre a data da troca e como você se sentiu nas semanas seguintes. O GLP-1 Tracker, gratuito e para iPhone, serve exatamente para isso: registrar cada aplicação com anotações, local de aplicação e efeitos colaterais, tudo guardado no seu aparelho, sem criar conta. Um histórico datado é o que o médico pede na consulta, o que o farmacêutico precisa para orientar e o que a vigilância sanitária ou o VigiMed vão perguntar se você precisar notificar algo.
Perguntas frequentes
Semaglutida manipulada é proibida no Brasil?
Pelo que a Anvisa publicou em 25 de agosto de 2025 (Despacho nº 97/2025 e Nota Técnica nº 200/2025), o insumo de semaglutida biotecnológica só pode ser importado para manipulação se vier do fabricante avaliado no registro, e o sintético só se existir medicamento sintético registrado. Como isso deixou as farmácias sem fonte regular de insumo, a imprensa resumiu como proibição. A norma não usa a palavra "proibida", mas a exceção é estreita e documentada. Quem confirma o caso concreto é a Anvisa ou a Vigilância Sanitária local.
E a tirzepatida manipulada, o chamado Mounjaro manipulado?
A Nota Técnica nº 200/2025 manteve a manipulação de tirzepatida possível porque o Mounjaro, registrado em 25 de setembro de 2023, usa insumo obtido por síntese química. As exigências são altas: fornecedor qualificado por auditoria, fluxo de importação com laudos, testes mínimos por lote e cumprimento da RDC nº 67/2007, inclusive para injetáveis estéreis. A própria Anvisa escreveu que a manipulação rotineira não é viável do ponto de vista sanitário, e em 2026 interditou farmácias por falta de controle de qualidade. A decisão sobre o seu tratamento é do seu médico.
Ozivy é genérico do Ozempic?
Não, segundo a Anvisa. Na notícia de 26 de maio de 2026, a Agência explicou que não existe genérico de produto biológico na regulação brasileira e que o Ozivy, da EMS, é classificado como medicamento novo: um análogo sintético do Ozempic, registrado após comprovação de eficácia, segurança e qualidade. Ele é indicado para diabetes tipo 2 e vendido com receita em duas vias retida. A conservação é diferente da do Ozempic, então leia a bula e pergunte ao farmacêutico.
Já existe genérico de semaglutida no Brasil?
Sim. Em 17 de agosto de 2026 a Anvisa registrou o primeiro genérico de semaglutida em caneta, da EMS, que por regra não tem nome comercial, e o similar Semaclique, da Germed, ambos com semaglutida sintética e indicação para diabetes tipo 2. Antes disso, em 29 de julho de 2026, foram registrados Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Registro na Anvisa não significa disponibilidade imediata: depende da aprovação de preço pela CMED e da decisão da empresa de lançar. Pergunte na farmácia o que está à venda.
Com o Ozivy registrado, a farmácia já pode manipular semaglutida sintética?
O Despacho nº 97/2025 condiciona a importação de insumo sintético à existência de medicamento registrado com a molécula, e isso passou a existir em 26 de maio de 2026. Mas a mesma nota técnica exige que a manipulação de GLP-1 só ocorra quando não há produto equivalente no mercado (item 5.10 da RDC nº 67/2007), com insumo de importadora qualificada e laudos por lote. Até a data desta página, a Anvisa não publicou orientação específica sobre esse cenário. Peça à farmácia os documentos e confirme no portal da Anvisa.
Como saber se um medicamento tem registro na Anvisa?
O registro pode ser consultado no sistema de consultas do portal da Anvisa, pelo nome do produto ou da empresa. Medicamento registrado é vendido em farmácia regularizada, na embalagem completa, com bula em português e nota fiscal; produto anunciado em rede social, com bula em outra língua ou enviado pelos Correios de origem desconhecida não tem essa garantia. Se um produto consta em resolução de apreensão da Anvisa, ele não pode ser vendido nem usado. Na dúvida, o farmacêutico e a Vigilância Sanitária local ajudam a verificar.
Posso trazer canetas do Paraguai ou comprar pela internet?
Em 20 de novembro de 2025, a Anvisa esclareceu que medicamentos sem registro no Brasil só podem ser importados de forma excepcional, para uso pessoal, com prescrição médica e requisitos adicionais, e que, quando a Agência publica proibição específica de um produto, a importação por qualquer modalidade fica suspensa. Nenhum medicamento pode ser vendido no país com bula em língua estrangeira. Em 3 de agosto de 2026, o CFM alertou que o médico não pode usar a receita para viabilizar medicamento do exterior sem autorização. Converse com o seu médico sobre as opções registradas.
Onde denuncio uma caneta suspeita ou um efeito adverso?
Efeito adverso: VigiMed, sistema gratuito da Anvisa aberto a cidadãos. Venda irregular, propaganda de manipulado ou golpe em nome da Agência: Fala.BR, além do 0800 642 9782 para dúvidas. Suspeita de falsificação: não use, avise a empresa detentora do registro e comunique a Anvisa ou a Vigilância Sanitária do seu município. Sintomas graves, como dor abdominal intensa e persistente: atendimento médico imediato; em emergência, 192 (SAMU). Guarde embalagem, nota fiscal e as datas para relatar com precisão.
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Esta página é apenas para educação geral e não é orientação médica, diagnóstico nem tratamento. O GLP-1 Tracker é uma ferramenta de registro, não um dispositivo médico. Consulte sempre o seu profissional de saúde sobre o seu medicamento, as suas doses e as suas decisões de saúde. Os nomes de marca são marcas registradas de seus respectivos donos e não têm vínculo com este app.